Cerveja em extinção: Mudanças climáticas ameaçam a produção de cevada e lúpulo no mundo.

Estudo publicado recentemente na revista científica Nature Plants apontou que se o aquecimento global manter o ritmo de avanço atual, problemas climáticos como secas e calor podem reduzir drasticamente e até mesmo extinguir a produção de cevada e lúpulo, dois dos principais ingredientes utilizados na produção de cerveja. O estudo revela que ao longo dos anos, lavouras produtoras desses ingredientes já vem apresentando quebra de produção em suas colheitas, impactando na queda de volume e consequente aumento de preços.

Alternativas

A ciência, claro, já está trabalhando para desenvolver soluções que resolvam essa demanda, e alternativas surgem para que não fiquemos sem nosso líquido sagrado no decorrer dos anos.

Cevada

A cevada é o ingrediente responsável por gerar o malte, que é de onde se retiram os açúcares que são transformados em álcool pelas leveduras durante a fermentação da cerveja. Pesquisas vem sendo feitas para aprimorar o processo de produção do malte pela cevada, já a partir da fase de germinação, e não apenas na sua fase madura, como é hoje. Dessa forma, a seleção genética de variedades de cevada com maior quantidade de aleurona, tecido presente no grão e diretamente relacionado à produção de malte, representa uma estratégia para a produção da cerveja.

Outra possibilidade é desenvolver outras espécies do cereal que sejam mais resistentes ao calor e as secas.

Lúpulo

O lúpulo é a planta responsável pelo aroma e o amargor da cerveja, sendo essencial e o queridinho dos entusiastas da bebida justamente por proporcionar diversas experiências sensoriais e de novos sabores. Por ser uma planta muito sensível a variações climáticas, a produção de lúpulo fica bastante comprometida em regiões que oscilam muito, como o Brasil.

Embora tenham surgido novas plantações de lúpulo em solo brasileiro, nossa produção ainda é muito pequena, e grande parte da cerveja produzida no país utiliza lúpulo importado, principalmente dos EUA que é o maior produtor de lúpulo mundial, sobretudo na região norte, onde as temperaturas são mais baixas. 

Visando elevar as possibilidades de se produzir lúpulo sob outras condições, o melhoramento genético parece ser novamente o caminho, criando espécies mais resistentes a oscilações e temperaturas mais altas.

Enquanto esse tipo de estudo avança lentamente, o cientista Davis Charles Denby, da Universidade da Califórnia, fez testes inserindo genes da hortelã e manjericão em leveduras e descobriu que essa engenharia genética proporcionou aromas e sabores parecidos com o do lúpulo na produção de cerveja. Em teste sensorial realizado na universidade, em 50% das amostras de cervejas produzidas com a levedura transgênica, e sem a adição de lúpulo, tiveram amora e amargor iguais a da cerveja produzida de maneira tradicional.

 

 


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